quinta-feira, 30 de julho de 2009

CENA QUALQUER

Uma Poltrona. Um telefone. Uma grande TV antiga. O fundo do palco é uma grande tela branca.

DANIEL liga a TV. Vemos a abertura da novela já pela metade. Começa o capítulo da novela. Na TV um salão de beleza suburbano. MÃE faz as unhas de NEIDE.

MÃE
(lixando o calo do dedão do pé da Neide)

Sabe, Neide, a gente não tem como saber se está educando certinho o filho da gente, né?

NEIDE

Eu li um livro muito bom, de um autor húngaro, xi, esqueci o nome, mas tá ali na revista, nos mais vendidos, é ‘como educar os filhos’ ou ‘como cuidar dos filhos’, sei lá, mas é só olhar ali, nos mais vendidos.

MÃE

Mesmo?

NEIDE

Mesmo. Ele diz que amar é fundamental. Que é o cerne, que bonita essa palavra, né?, ai, doeu.

MÃE

Desculpa.

NEIDE

O cerne de tudo.

MÃE

O quê?

NEIDE

O cerne.

MÃE

A.

DANIEL

(da poltrona)

Mamãe diz A.

NEIDE

É bonito, não é?

MÃE

Vermelho Paixão

NEIDE

O amor é o cerne de tudo. O cerne. Um nome bonito pra um filho, não é? Ocerne.

DANIEL desliga a TV, fala com o público....


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